Carlos copiou de Antônio, que copiou de Renata, que copiou de Marcelo. Surge um Best-Seller.
Não vejo algo tão injusto quanto julgar algum caso de plágio. Se a humanidade resolver se auto-processar por todos – e mais bizarros – casos de direitos autorais, surgirá o mais infindável e inútil caso na história das instituições jurídicas.
Pois, ora. Como diriam os sociólogos, é um instinto humano valer-se da cópia para adquirir conhecimentos. Sem o plágio, não teríamos desenvolvido linguagem, não teríamos aperfeiçoado nossas tecnologias, não buscaríamos algo melhor do que o do vizinho. Seria então o famoso “Ctrl+C” um dos pilares da nossa sabedoria avantajada?
Dirão os chatos: “Não se deve generalizar, existem coisas que não são dignas de receberem patentes passíveis de julgamento”. Lógico que este desocupado está correto, sinto muito em atestar isso. Porém, sabe-se que existem patentes inúteis já registradas enquanto inventos realmente sérios aguardam direitos semelhantes.
Não julgo uma patente necessária para se atingir sucesso em algo. Vide empresas de software que, ao abrirem o código de seus produtos, cresceram de maneira exorbitante por uma propaganda espontânea e natural.
Eu, por exemplo, nunca soube que Joe Satriani tinha gravado uma faixa que, como o guitarrista afirma com tanta veemência, foi copiada pelo Coldplágio, desculpe, Coldplay. Mas também poucos sabiam que o próprio Joe também pode ter copiado sua melodia de Cat Stevens, aquele, de “Father and Son”. O Balanço geral é simples: o plágio de Coldplay apresentou Satriani a centenas de pessoas; e o plágio de Satriani, por sua vez, apresentou Stevens a milhares destas.
Devemos saber que a liberdade ensina. E nos aproveitarmos dela para crescer. Como seria se o guitarrista em questão tivesse se aproveitado da canção da banda inglesa para que, tocando juntos, divulgasse seu próprio tema?
Só lhes peço que, se citarem este texto em algum lugar, por favor digam a fonte. Sabe como é, essa tecnologia de hoje.