O ser humano não difere-se dos outros animais somente por possuir um polegar opositor. Ele é um dos únicos seres vivos que habitam nosso planeta que utilizam-se do furor visual – entenda-se beleza – para escolher seus parceiros.
O fato é que esse conceito nem sempre é bem definido na mente humana. Há vários tipos de beleza, e é inútil tentar enumerá-los. Porém os mais comuns são aqueles que viajam de boca em boca em lições moralistas: beleza “interna” e beleza “exótica”, por exemplo.
Contudo, a beleza é uma primeira impressão. A beleza manifesta-se ao primeiro olhar, e restringe-se a ele. Ela se torna inviável, no entanto, quando o ser humano confunde seu olhar com um sentimento nato: o tão conhecido e difamado “amor”.
Amar não somente cega. Amar transforma.
Aquele que já foi capaz de amar um dia sequer na vida sabe que a beleza que todos vêem em quem amamos (ou ninguém vê, há todos os tipos de casos) torna-se ínfima. Dizer “você é linda (o)” se torna algo tão casual que não faz mais o efeito desejado.
E o que é mais torturante: o amor verdadeiro nunca acaba. Uma vez que ocorre, sempre ocorrerá.
Mas há sempre um “porém”. Há pessoas que amam e não são reciprocamente amadas. Nesse caso, a beleza torna-se fator fundamental de admiração entre essa pessoa e a outra. Sempre explícita e de forma exagerada são as formas de manifestação desse árduo desejo de nunca mais ter que elogiar os dotes físicos das pessoas para obtê-la. E sim, puramente, tê-la por amor.
A beleza é eterna; todos os tipos de beleza são eternos: eles nunca deixam de existir. O que muda é a forma de se sentir, inconscientemente, a beleza. Sabe-se que o amor confunde mais que qualquer outro sentimento; felizmente nos torna, porém, escravos de algo mais que uma harmonia perfeita de rosto.
Pobres são os que não conseguem se libertar desse conceito pífio de beleza e amar por essência. Parafraseando Vinícius, os “cegos” que me perdoem; mas amar é fundamental.