Estávamos eu e minha genitora sentados à frente da tv, numa noite chuvosa de segunda. Aquelas noites nas quais não se tem nada pra falar, diga-se de passagem.
E foi justamente por isso que surgiu a questão que gerou o conflito daquele dia. Sem ter absolutamente nenhum escrúpulo, aquela que eu amo resolve abrir a boca:
"Você sabe quais são as sete maravilhas do mundo antigo?" - perguntou.
Me assustei, sério, foi bem de repente.
"Ah, é fácil... as pirâmides do Egito, os jardins suspensos da Babilônia..." - respondi.
"... o colosso de Rhodes, a estátua de Zeus, o farol de Alexandria... faltam dois."
"O templo de Ártemis! O outro... ah, o outro é facil. Qual o nome mesmo?"
"É, eu não lembro. Era o que faltava no meu pensamento também."
"Caraca, é fácil, eu já li sobre ele."
Fez-se o silêncio. Eu, de fato, não lembrava a sétima. Passei por Torre Eiffel, Taj Majal, o Cristo, mas, nenhum se encaixava.
Olhei para ela e a cara de dúvida era pior que a dúvida em si.
É horrível, nesses momentos não conseguimos parar de pensar na questão. Inquieto, me levantei para pesquisar, no computador já desligado.
Entrei no meu quarto, mirei-o de longe e não senti a mínima animação de esperar seu startup. Lembrei então da enciclopédia recém comprada a 10 anos, nunca aberta.
"Não deve ser mais antigo que 10 anos, o tal monumento." - pensei.
Descolei as páginas do livro, busquei no índice, e, de fato, lá estavam as sete. Passei o dedo por todas até encontrar a faltante.
Desci, animado, para dar a resposta.
Ora, era de se esperar que me estivessem esperando.
Nada, ela estava dormindo como um anjo.
Aquele ímpeto de vingança revirou-se dentro de mim e não pude resistir em acordá-la.
"Mãe, mãe, acorda, descobri."
"Que foi, moleque?"
"É o mausoléu de Halicarnasso!"
"Vai pro inferno!"
Eu fui.